Resenha: ANGRA em Caxias do Sul/RS- Uma noite épica para celebrar a eternidade de Holy Land (26/09)

Resenha: ANGRA em Caxias do Sul/RS- Uma noite épica para celebrar a eternidade de Holy Land (26/09)

September 30, 2026 0 By Geraldo Andrade

Caxias do Sul viveu uma noite daquelas que fazem qualquer fã de heavy metal guardar o ingresso como recordação de um momento especial. No sábado, 26 de setembro, a All Need Master Hall recebeu o Angra com a turnê Holy Land + 30th Anniversary Tour, celebrando os 30 anos de um dos álbuns mais importantes da história do metal brasileiro.

Com a casa lotada e o público caxiense mostrando toda a sua força, a noite reuniu nostalgia, virtuosismo e a energia de uma banda que segue escrevendo sua história. A abertura ficou por conta da Here I Am, preparando o terreno para uma celebração que tinha tudo para ser memorável. Em eventos como esse, a banda de abertura também faz parte da experiência: é o primeiro contato com a energia da noite e a oportunidade de apresentar seu trabalho a um público reunido em torno da música pesada. E a Here I Am mostrou toda sua força e fez um show impecável, Caxias do Sul conheceu uma das melhores bandas da nova geração do metal brasileiro.

Holy Land: 30 anos de um marco do metal brasileiro

angra review

Foto Crédito Geraldo Andrade

Lançado em 1996, Holy Land não é apenas um disco fundamental na discografia do Angra. É uma obra que ajudou a estabelecer uma identidade própria para o metal nacional, combinando power metal, elementos progressivos, arranjos sinfônicos e referências à música brasileira.

E é justamente essa riqueza musical que torna a turnê tão especial. Faixas como “Nothing to Say”, “Silence and Distance”, “Carolina IV”, “Holy Land”, “Make Believe”, “Z.I.T.O.” e “Deep Blue” estão entre os grandes destaques do repertório associado à celebração.

“Carolina IV”, com sua construção grandiosa e suas marcantes influências brasileiras, representa perfeitamente a proposta do álbum. Já “Nothing to Say” traz aquela combinação de peso, velocidade e melodias que ajudou a consolidar o Angra internacionalmente.

E quando o assunto é “Holy Land”, estamos falando de uma composição que sintetiza a ambição artística da banda: uma viagem musical que vai muito além das convenções do heavy metal.

angra review

Foto Crédito Geraldo Andrade

Alírio Netto: personalidade, potência e respeito à história

Se existe um nome que merece um capítulo especial nesta resenha, é o de Alírio Netto.

Assumir os vocais de uma banda com a trajetória do Angra significa encarar um repertório marcado por interpretações históricas e por uma exigência vocal considerável. No contexto de Holy Land, esse desafio ganha uma dimensão ainda maior: são músicas que exigem potência, precisão, alcance e sensibilidade para transitar entre passagens delicadas e momentos de intensidade.

Alírio chega a essa celebração trazendo sua própria identidade artística. Sua presença representa a continuidade de uma história construída por diferentes músicos e vocalistas, sem deixar de reconhecer a importância daqueles que ajudaram a transformar o Angra em uma referência mundial.

É nesse equilíbrio entre personalidade e respeito ao legado que reside o grande desafio de interpretar clássicos como “Make Believe”, “Silence and Distance” e “Holy Land”.

E há algo particularmente especial em ver um vocalista assumir esse repertório diante de uma plateia que conhece cada detalhe das canções. Não basta cantar as músicas: é preciso compreender o peso emocional que elas carregam para os fãs.

angra review

Foto Crédito Geraldo Andrade

Alírio é parte fundamental dessa nova etapa do Angra, contribuindo para que esses clássicos continuem encontrando seu espaço nos palcos e conquistando novas gerações.

A formação atual, composta por Alírio Netto, Rafael Bittencourt, Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli e Bruno Valverde, reúne músicos com diferentes trajetórias em torno de uma mesma identidade musical e mostrou que a banda está entrosadíssima e feliz em estar em cima do palco, dava para ver o sorriso nos rostos de cada músico.

Uma noite para celebrar o passado e o presente, isso é o que define a passagem do Angra por Caxias do Sul. A banda mostrou a força de uma obra que atravessa gerações. A celebração dos 30 anos de Holy Land é também uma oportunidade de reconhecer a capacidade da banda de manter vivo seu legado, sem deixar de olhar para o futuro.

A Here I Am abriu os trabalhos, a All Need Master Hall recebeu uma multidão de fãs e o Angra trouxe à Serra Gaúcha uma turnê que celebra um dos capítulos mais importantes do metal nacional.

No fim das contas, o que fica é a imagem de uma casa lotada, de fãs unidos pela mesma paixão e de um repertório que continua tão relevante quanto há três décadas.

angra review

Foto Crédito Geraldo Andrade

O dia 26 de setembro de 2026 entra para a história dos grandes encontros do metal em Caxias do Sul. Com a abertura da Here I Am, a celebração dos 30 anos de Holy Land e uma All Need Master Hall lotada, o Angra protagonizou uma noite que reafirma a força de sua trajetória e a vitalidade da cena metálica na Serra Gaúcha.

Trinta anos depois, Holy Land continua sendo muito mais do que um álbum: é parte da história do metal brasileiro, uma obra que atravessa gerações e mantém viva a chama de uma música que não conhece fronteiras.

Caxias do Sul mostrou sua força. O Angra celebrou seu legado. E o metal, mais uma vez, falou mais alto!

angra review

Foto Crédito Jairo Lenzi Filho

Geraldo "Gegê" Andrade

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais. 

Matérias Relacionadas