Resenha: “Not Your Kingdom” – Madball (2026)
October 14, 2026 0 By Geraldo AndradeExiste uma diferença enorme entre uma banda que simplesmente toca hardcore e uma banda que carrega o hardcore nas veias. O Madball conhece essa diferença há décadas — e “Not Your Kingdom” chega justamente para esfregar isso na cara de quem achou que a velha escola deveria pedir aposentadoria.
Não deveria. E definitivamente não pediu.
O novo álbum é daqueles que não precisam de introduções cinematográficas, discursos intermináveis ou produção cheia de maquiagem. O Madball entra em campo para fazer aquilo que sabe: peso, atitude, riffs agressivos e aquela energia urbana que transformou o hardcore nova-iorquino em uma das forças mais respeitadas da música pesada.
O título, “Not Your Kingdom”, funciona quase como uma provocação. Uma placa dizendo “não ultrapasse”. E quem resolve atravessar encontra uma banda que continua sabendo exatamente como transformar indignação em música.
Freddy Cricien segue sendo uma figura central nessa equação. Sua voz não precisa de filtros para convencer. É áspera, raivosa e carregada daquela personalidade que não se fabrica em estúdio. Cada frase parece sair com a urgência de quem tem alguma coisa para resolver.
E o instrumental acompanha o comandante. As guitarras trabalham com riffs pesados e diretos, enquanto baixo e bateria criam uma parede sonora que mantém o álbum constantemente em movimento. O Madball não está interessado em impressionar com virtuosismo. Aqui, o riff precisa funcionar. A pancada precisa funcionar. O refrão precisa funcionar. E funciona.
O grande mérito de “Not Your Kingdom” talvez esteja justamente na simplicidade — mas não confunda simplicidade com facilidade.
Fazer uma música pesada, contagiante e agressiva sem transformar tudo em uma caricatura do próprio passado é tarefa para poucos. O Madball consegue revisitar sua identidade sem parecer uma banda cover de si mesma. E isso merece respeito.
O álbum também deixa claro que hardcore continua sendo muito mais do que velocidade. O groove aparece forte, criando momentos em que a música parece caminhar lentamente antes de acertar aquele soco no estômago. É o tipo de som que funciona tanto no fone de ouvido quanto em uma casa lotada, com o público transformando cada refrão em um coro coletivo.
Porque, no final das contas, hardcore é comunidade, identificação, resistência, é aquela sensação de que, por alguns minutos, você encontrou uma trilha sonora para toda a merda que acontece do lado de fora.
“Not Your Kingdom” não tenta reinventar o gênero. E ainda bem. Nem toda banda precisa reinventar a roda. Algumas precisam apenas provar que a roda ainda gira — e pode passar por cima de muita coisa. O Madball faz exatamente isso.
O resultado é um álbum pesado, honesto e fiel ao espírito que colocou a banda entre os nomes fundamentais do hardcore.
Não é música para quem procura conforto. É música para quem procura impacto. E se alguém ainda acha que o hardcore pertence ao passado, o Madball tem uma resposta simples: este reino não é seu.
“Not Your Kingdom” é o Madball fazendo o que sabe fazer melhor: transformar raiva, atitude e experiência em pancada sonora. Sem pedir desculpas e sem entregar o território.
Músicas
1- Tethered
2- Flammable
3- Rebelude
4- Rebel Kids
5- Don’t MisStep
6- What Say You
7- Stab Wounds
8- Sunrise
9- Life’s a Mural
10- Family First
11- Clockwork
12- IWI
13- The Ride
14- Chase a Dream

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


