Resenha: “The Master Plan” – Michael Sweet (2026)
April 30, 2026 0 By Geraldo AndradeQuando um nome historicamente ligado ao hard rock resolve desacelerar, o risco é grande — mas também é onde mora a curiosidade. Em “The Master Plan”, Michael Sweet abandona quase completamente o peso associado ao Stryper e mergulha em um território mais contemplativo, espiritual e, em muitos momentos, minimalista.
O resultado é um disco que soa menos como um “álbum” tradicional e mais como uma jornada introspectiva guiada por fé, propósito e vulnerabilidade. Não espere riffs explosivos — aqui, o foco está em pianos, ambiências suaves e melodias que crescem lentamente.
Logo na abertura, “The Master Plan” define o tom: começa delicada e vai se expandindo até um clímax emocional que sintetiza a proposta do trabalho. É uma faixa que funciona como manifesto — tanto lírico quanto sonoro — e já entrega que Sweet está mais interessado em tocar o espírito do que impressionar tecnicamente.
“Lord”, a minha favorita, surge como um dos momentos mais acessíveis e diretos. Com um groove leve e um refrão marcante, é uma das poucas faixas que flertam com algo mais próximo do rock melódico. Já “You Lead I’ll Follow” e “Stronger” acrescentam um pouco mais de dinâmica ao disco, quebrando a linearidade sem abandonar a atmosfera contemplativa.
O álbum encontra sua força nas baladas. “Eternally” e “Again” são carregadas de emoção, com vocais sinceros e arranjos que priorizam sentimento sobre grandiosidade. É nesse terreno que Sweet parece mais confortável — e mais convincente.
Entre os destaques, “Believer” merece atenção especial: é a faixa que melhor equilibra energia e mensagem, trazendo um piano pulsante e guitarras discretas que finalmente ganham algum protagonismo. Funciona como um respiro dentro do clima mais introspectivo do álbum.
Na reta final, “Faith” e “Worship You” reforçam a proposta espiritual do trabalho, ainda que sem grandes surpresas. Aqui, o disco começa a mostrar seu principal problema: a uniformidade. A escolha estética, embora coesa, acaba diluindo o impacto de algumas faixas.
No fim das contas, “The Master Plan” não é um álbum para todos. Quem espera algo na linha clássica de Stryper pode estranhar — e talvez até se frustrar. Mas para quem estiver disposto a entrar nessa vibe mais introspectiva, encontrará um trabalho honesto, sensível e profundamente pessoal.
É menos sobre potência e mais sobre propósito. E, goste ou não, isso já diz muito sobre o momento artístico de Michael Sweet.
Músicas
1- The Master Plan
2- Lord
3- Stronger
4- Eternally
5- You Lead I’ll Follow
6- Desert Stream
7- Believer
8- Again
9- Faith
10- Worship You

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


