Resenha: “The Apostasy” – Behemoth – The Apostasy (2007) Relançamento 2026
July 13, 2026 0 By Geraldo AndradeHá discos que consolidam uma banda. Outros a reinventam. “The Apostasy”, oitavo álbum do Behemoth, faz as duas coisas ao mesmo tempo. Lançado em 2007, o trabalho chega após o impacto devastador de “Demigod” e mostra um grupo disposto a expandir sua identidade sem sacrificar um único grama de brutalidade. Em vez de repetir a fórmula vencedora, Nergal e companhia adicionam novos elementos à sua alquimia sonora: corais, piano, metais e arranjos cinematográficos que elevam o death/black metal da banda a uma dimensão quase litúrgica — ainda que profundamente anticristã.
A produção é monumental. Cada riff parece esculpido em granito, enquanto a bateria de Inferno permanece uma referência absoluta no metal extremo, alternando explosões de blast beats com passagens técnicas e precisas. O resultado é um álbum que soa colossal, mas nunca excessivamente poluído.
A breve introdução “Rome 64 C.E.” funciona como uma abertura de ópera profana. Em pouco mais de um minuto, prepara o terreno para “Slaying the Prophets ov Isa”, provavelmente uma das composições mais explosivas da carreira do Behemoth. Os riffs cortantes, a velocidade alucinante e os coros épicos transformam a música em um verdadeiro manifesto sonoro, mostrando imediatamente que “The Apostasy” não pretende oferecer descanso ao ouvinte.
Outro ponto alto é “Prometherion”, onde o groove aparece com mais força sem diminuir a agressividade. A faixa demonstra a habilidade do Behemoth em construir refrões memoráveis dentro de um gênero tradicionalmente avesso a estruturas convencionais.
Se existe uma música que sintetiza a grandiosidade do álbum, ela é “At the Left Hand ov God”. Lenta, pesada e carregada de atmosfera, a composição cresce de maneira quase ritualística antes de explodir em passagens devastadoras. É uma das performances vocais mais intensas de Nergal e uma aula de dinâmica dentro do metal extremo.
Na sequência, “Kriegsphilosophie” injeta velocidade novamente, misturando riffs militares e arranjos de metais que ampliam a sensação de grandiosidade. É uma faixa que demonstra como a banda consegue incorporar elementos pouco convencionais sem parecer artificial.
O momento mais sofisticado surge em “Inner Sanctum”, que conta com a participação de Warrel Dane (Nevermore) nos vocais e do pianista Leszek Możdżer. O contraste entre o piano, os vocais limpos de Dane e a brutalidade do Behemoth cria uma experiência quase cinematográfica, revelando uma faceta mais refinada da banda sem perder sua essência obscura.
Já “Christgrinding Avenue”, responsável por encerrar o álbum, resume perfeitamente sua proposta: velocidade, técnica, peso e uma atmosfera apocalíptica que deixa a sensação de ter participado de um ritual proibido.
Embora frequentemente fique à sombra de “Demigod” e do celebrado “The Satanist”, “The Apostasy” representa um momento decisivo na evolução do Behemoth. É aqui que a banda encontra o equilíbrio entre violência extrema e sofisticação composicional, estabelecendo um modelo que influenciaria boa parte do metal extremo moderno. As músicas são mais elaboradas, os arranjos mais ousados e a execução beira a perfeição técnica.
Mais do que um álbum de death metal, “The Apostasy” é uma declaração artística. Um disco que desafia convenções, amplia horizontes e demonstra que brutalidade também pode ser elegante.
Músicas
1- Rome 64 C.E.
2- Slaying the Prophets ov Isa
3- Prometherion
4- At the Left Hand ov God
5- Kriegsphilosophie
6- Be Without Fear
7- Arcana Hereticae
8- Libertheme
9- Inner Sanctum
10- Pazuzu
11- Christgrinding Avenue

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


