Resenha: “SPLAT!” – Deep Purple (2026)
July 11, 2026 0 By Geraldo AndradeQuando uma banda ultrapassa a marca de cinco décadas de estrada, é natural esperar um disco confortável, apoiado apenas no peso da própria história. O Deep Purple, porém, insiste em desafiar essa lógica. Em “SPLAT!”, o grupo britânico entrega um álbum que olha para o passado sem ficar preso a ele, apostando em riffs robustos, refrões eficientes e uma produção moderna que valoriza cada instrumento sem perder a essência do hard rock clássico.
A primeira impressão é imediata. “Arrogant Boy” chega acelerando, com um riff que poderia muito bem ter saído das sessões de Machine Head. Simon McBride mostra desde os primeiros minutos por que conquistou seu espaço na banda. Sem tentar imitar Ritchie Blackmore ou Steve Morse, imprime personalidade própria, técnica refinada e muito bom gosto. Seu diálogo com os teclados de Don Airey é um dos pontos altos do álbum.
Se a abertura já convence, “Diablo” confirma que o Purple ainda sabe construir músicas pesadas sem soar artificial. O groove é irresistível, Ian Paice mantém a precisão de sempre na bateria e Roger Glover segura tudo com um baixo pulsante. É uma faixa feita para ganhar força nos palcos.
Entre os momentos mais interessantes está “Guilt Trippin'”, talvez a composição mais ousada do disco. A música alterna climas, muda de direção várias vezes e traz uma letra espirituosa que imagina Deus e Charles Darwin debatendo a condição humana. O resultado é inteligente, divertido e musicalmente envolvente, mostrando que a banda continua disposta a experimentar.
Já “The Rider” e “The Lunatic” exploram uma atmosfera mais sombria. Os teclados ganham protagonismo, enquanto Ian Gillan utiliza sua voz de maneira inteligente, privilegiando interpretação e expressão em vez de tentar repetir os agudos que marcaram sua juventude. É a experiência falando mais alto.
Na reta final, “Sacred Land” amplia o lado épico do álbum antes da chegada da faixa-título, “SPLAT!”, que encerra o trabalho com peso, melodia e uma certa ironia sobre os rumos da humanidade. O conceito do disco passa longe do pessimismo gratuito: o Purple prefere observar o mundo com sarcasmo e maturidade, sem perder o senso de diversão.
Nem tudo busca ser grandioso. Faixas como “Jessica’s Bra” revelam um lado descontraído da banda, lembrando que o Deep Purple sempre soube equilibrar virtuosismo com bom humor.
O grande mérito de “SPLAT!” é justamente não tentar competir com os clássicos absolutos da discografia do grupo. Em vez de perseguir um impossível Machine Head 2, a banda aposta em composições sólidas, excelentes performances e uma química que continua impressionando. Bob Ezrin assina uma produção limpa e poderosa, permitindo que cada instrumento respire e evidenciando o quanto essa formação está entrosada.
No fim das contas, “SPLAT!” não é um exercício de nostalgia. É um disco de uma banda que continua criando porque ainda tem algo a dizer. E talvez essa seja a maior vitória do Deep Purple em 2026: provar que, enquanto muitos sobrevivem da própria lenda, eles ainda conseguem escrever novos capítulos com a mesma paixão que os transformou em gigantes do rock.
Músicas
1- Arrogant Boy
2- Diablo”
3- The Rider
4- The Lunatic
5- The Only Horse in Town
6- Sacred Land
7- The Beating of Wings
8- Guilt Trippin’
9- Scriblin’ Gib’rish
10- Jessica’s Bra
11- Third Call
12- My New Movie
13- Splat!

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


