Resenha: “Into Oblivion” – Venom (2026)
May 4, 2026 0 By Geraldo AndradeTem banda que envelhece. O Venom não — só fica mais perigoso.
O novo trabalho, “Into Oblivion”, chega como um soco sujo no estômago de 2026. Nada de polimento excessivo ou tentativa patética de soar “relevante”. Aqui é o mesmo espírito profano de sempre, só que com mais cicatriz, mais peso e zero paciência. Se você esperava um disco comportado… errou de inferno.
A faixa-título, “Into Oblivion”, abre o ritual com riffs que parecem serras enferrujadas e a voz de Cronos cuspindo blasfêmias como se o mundo ainda fosse acabar amanhã. É crua, direta e já define o clima: isso não é revival, é sobrevivência. Isso é Venom!
“Lay Down Your Soul” vem na sequência como um chute punk na porta — rápida, caótica, daquelas que existem pra virar carnificina ao vivo. Já “Nevermore” traz aquele andamento galopante clássico, com uma tensão crescente que mostra que os veteranos ainda sabem construir porrada com propósito.
Mas o disco não vive só de velocidade. “Man & Beast”, já virou minha favorita, aposta num groove pesado, quase arrastado, que gruda na cabeça enquanto esmaga tudo em volta. “Kicked Outta Hell” e “Death the Leveller” mantêm o nível de destruição lá no alto, com riffs cortantes e uma energia que cheira a gasolina e enxofre.
E quando você acha que já entendeu tudo, “As Above So Below” desacelera e mergulha num clima sombrio, quase ritualístico — uma pausa estratégica antes do próximo ataque. Já “Metal Bloody Metal” é puro manifesto: simples, barulhenta e feita pra virar hino de guerra entre jaquetas de couro e punhos erguidos.
O que “Into Oblivion” faz de melhor é não fingir ser outra coisa. Não tem reinvenção mirabolante, não tem tendência da moda — tem essência. O som continua aquele híbrido imundo de black, thrash e rock’n’roll que basicamente ajudou a moldar o metal extremo como a gente conhece.
No fim, o Venom não quer te conquistar. Quer te atropelar.
E consegue.
No fim das contas, “Into Oblivion” não é sobre evolução — é sobre permanência. O Venom segue fazendo exatamente o que sempre fez: barulho sujo, pesado e sem concessões, mas com a segurança de quem sabe que ajudou a criar esse jogo.
O álbum não tenta reinventar o metal extremo, e ainda bem. Em vez disso, ele reforça a identidade da banda com riffs diretos, clima infernal e uma energia que soa mais viva do que muita banda nova por aí. Pode não ser o disco mais inovador da carreira, mas é honesto — e no universo do Venom, isso pesa mais do que qualquer tendência.
“Into Oblivion” é, acima de tudo, uma prova de resistência: o caos continua, e ainda tem assinatura.
Músicas
1- Into Oblivion
2- Lay Down Your Soul
3- Nevermore
4- Man & Beast
5- Death The Leveller
6- As Above So Below
7- Kicked Outta Hell
8- Legend
9- Live Loud
10- Metal Bloody Metal
11- Dogs Of War
12- Deathwitch
13- Unholy Mother

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


