Resenha: “Hard-Fi” – Rosa Tattooada (2026)

Resenha: “Hard-Fi” – Rosa Tattooada (2026)

September 14, 2026 0 By Geraldo Andrade

Tem disco que você coloca para tocar, tem disco que você escuta e tem disco que simplesmente entra pela caixa de som e arrebenta a porta da sala!

“Hard-Fi”, novo trabalho da Rosa Tattooada, pertence à terceira categoria.

A banda gaúcha resolveu olhar para o próprio espelho, pegar nove clássicos da sua trajetória, colocar sangue novo nas veias dessas músicas e ainda acrescentar uma faixa inédita.

O resultado? Uma Rosa Tattooada que não está interessada em viver de lembranças, está interessada em continuar fazendo barulho e do bom.

Vamos deixar uma coisa bem clara: regravar clássicos pode ser uma armadilha.

Ou você transforma as músicas em cópias pálidas do passado, ou consegue encontrar uma nova personalidade para aquilo que já conhecemos. A Rosa escolheu a segunda opção.

Em “Hard-Fi”, as músicas carregam a memória de quem acompanhou a banda durante décadas, mas também carregam a experiência de músicos que continuam subindo ao palco, tocando e respirando rock.

É o passado encontrando o presente em uma bela colisão sonora, e a batida é forte!

No comando da guitarra e dos vocais, Jacques Maciel continua sendo uma das grandes referências do rock gaúcho e brasileiro. Sua interpretação tem aquela característica que não se aprende em manual: personalidade.

A voz envelheceu? Sim. E ainda bem!

Porque rock não precisa esconder cicatrizes, precisa transformá-las em atitude e Jacques faz exatamente isso.

Valdi Dalla Rosa, no baixo, e Matt Thofehrn, na bateria, formam uma cozinha que sustenta o peso necessário para que essas músicas ganhem nova vida.

Não existe maquiagem aqui, existe guitarra, baixo, bateria, suor e aquele ingrediente que nenhuma tecnologia consegue fabricar: estrada.

A Rosa Tattooada sabe tocar suas músicas, mas principalmente, sabe tocá-las com vontade.

A grande surpresa do álbum chega através da inédita: “Quem Vai Juntar Os Pedaços (Do Seu Coração)”, composição de Jacques Maciel e Mumu, da Vera Loca, a faixa mostra que a Rosa ainda tem combustível para criar.

E isso é talvez o mais importante de “Hard-Fi”, porque seria muito fácil simplesmente revisitar o passado, mas colocar uma música nova no meio dessa história é dizer: “Ainda não terminamos.” A faixa ainda conta com a participação de Mumu no solo.

E aí a Rosa mostra que ainda sabe falar de coração partido sem perder o peso das guitarras.

Aqui precisamos fazer uma pausa, porque “Hard-Fi” não é apenas um álbum, é um objeto. É aquele tipo de lançamento que faz o colecionador olhar para a estante e pensar: “Esse eu preciso ter.”

A edição em vinil, eu já garanti o meu, limitada e numerada, transforma o trabalho em uma peça especial para quem acompanha a história da banda. Em tempos de playlists infinitas, ouvir um álbum inteiro no vinil parece quase um ato de resistência.

Você coloca a agulha, espera, a música começa e durante alguns minutos você simplesmente deixa o rock acontecer, sem pular faixa, sem algoritmo, sem pressa, só Rosa Tattooada.

“Hard-Fi” não é uma banda tentando voltar ao passado, é uma banda mostrando que o passado ainda tem força.

A Rosa Tattooada revisita sua história, mas não fica acorrentada a ela, o disco tem memória, peso, melodia, atitude, e principalmente, tem aquela coisa que separa uma banda de rock de um grupo que apenas toca rock: IDENTIDADE.

Depois de tantos anos de estrada, a Rosa Tattooada poderia simplesmente descansar sobre sua própria história, mas preferiu fazer aquilo que sabe fazer melhor: ligar os amplificadores e mandar o ROCK para cima!

E que continue assim.

Porque enquanto existir guitarra, baixo, bateria, vinil e vontade de tocar…

A ROSA AINDA TEM MUITO ESPINHO!

Coloque a agulha, aumente o volume e deixe a Rosa sangrar Rock!

rosa tattooada

Músicas
Lado A
1- Um Milhão de Flores
2- Fora de Mim, Dentro de Você
3- Enigma
4- Voltando Pra Casa
5- Tardes de Outono
Lado B
1- Quem Vai Juntar os Pedaços (Do Seu Coração)
2- Carburador
3- Diamante Interestelar
4- Dance em Mim
5- O Inferno Vai Ter Que Esperar

Geraldo "Gegê" Andrade

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais. 

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