Resenha: “Goliath” – Exodus (2026)

Resenha: “Goliath” – Exodus (2026)

March 22, 2026 0 By Geraldo Andrade

Lançado em 2026, “Goliath” chega como mais um capítulo na história barulhenta e resiliente do Exodus — uma banda que nunca precisou provar nada a ninguém, mas que, ainda assim, insiste em mostrar que tem combustível no tanque.

O álbum representa mais um capítulo na longa trajetória de um dos nomes mais tradicionais do thrash metal. Mais do que apenas um novo trabalho, o disco chega cercado de expectativas — principalmente pelo retorno do vocalista Rob Dukes e pela promessa de uma abordagem mais diversa e colaborativa.

Há algo de simbólico no título. “Goliath” sugere peso, imponência, uma força quase mítica — e, em boa parte do álbum, isso se confirma. O Exodus entrega riffs massivos, andamentos agressivos e aquela velha fúria thrash que ajudou a definir desde os anos 80. Mas, desta vez, há mais nuances no campo de batalha.

A abertura com “3111” já chega como um soco direto: rápida, violenta e sem rodeios. É o tipo de faixa que reafirma a essência da banda — guitarras cortantes, bateria acelerada e vocais rasgados. Aliás, o retorno de Rob Dukes é um dos pontos altos do disco. Sua performance é crua e intensa, trazendo um peso extra que combina com o tom mais sombrio do trabalho.

Mas “Goliath” não vive só de velocidade. A faixa-título desacelera drasticamente o ritmo, mergulhando em um clima quase arrastado, com forte influência de doom metal. É um movimento ousado — e talvez o mais divisivo do álbum. Para alguns, um respiro atmosférico; para outros, uma quebra de energia.

As guitarras de Gary Holt continuam sendo o coração do Exodus. Os riffs são afiados, técnicos e, acima de tudo, eficazes. Há momentos em que a banda parece revisitar sua própria história, mas com uma produção mais moderna e uma pegada levemente mais experimental.

A sonoridade geral mantém o peso característico da banda, mas chama atenção pela tentativa de expandir horizontes. O álbum é descrito como um dos mais diversos da carreira do grupo, incorporando elementos melódicos, participações especiais e até momentos mais cadenciados que mostram uma banda que ainda busca evolução — mesmo após décadas de carreira.

Se por um lado “Goliath” impressiona pela força e pela vontade de explorar novos territórios, por outro sofre com certa irregularidade. Nem todas as faixas têm o mesmo impacto, e o fluxo do álbum poderia ser mais coeso.

Ainda assim, é difícil ignorar o peso histórico e a relevância do lançamento. O Exodus continua soando perigoso — e isso, no thrash metal, é tudo.

Um disco sólido, pesado e com momentos de ousadia. Talvez não seja um novo clássico, mas prova que gigantes ainda sabem como fazer barulho.

exodus

Músicas
1- 3111
2- Hostis Humani Generis
3- The Changing Me (ft. Peter Tägtgren of Hypocrisy, Pain)
4- Promise You This
5- Goliath (ft. Katie Jacoby)
6- Beyond The Event Horizon
7- 2 Minutes Hate
8- Violence Works
9- Summon Of The God Unknown
10- The Dirtiest Of The Dozen

Geraldo "Gegê" Andrade

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais. 

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