Resenha: “Degenerate” – Diatribes (2026)

Resenha: “Degenerate” – Diatribes (2026)

May 25, 2026 0 By Geraldo Andrade

Existe um ponto onde o Death Metal abandona qualquer preocupação com sutileza e simplesmente atropela tudo pela frente. É exatamente aí que o Diatribes finca sua bandeira em “Degenerate”, estreia oficial dos paulistanos que chega como um soco direto na boca do estômago. O álbum não tenta reinventar o metal extremo — e talvez esse seja justamente seu maior acerto. Aqui, a proposta é destruir. E funciona muito bem.

Desde a abertura com “Death’s Echo Chants”, já fica claro que o disco terá clima sombrio e agressividade constante. Mas é quando “The Witch” explode que o Diatribes realmente mostra sua cara: riffs cortantes, bateria impiedosa e vocais cuspidos com rancor absoluto. A música carrega aquela energia clássica do Death/Thrash dos anos 80, mas com produção moderna e peso suficiente para soar atual sem perder identidade.

“Hostility Within” surge como um dos grandes momentos do álbum. Mais direta, mais brutal e carregada de groove, a faixa mostra uma banda extremamente entrosada, sabendo exatamente quando acelerar e quando deixar o riff esmagar lentamente. É o tipo de música feita para incendiar rodas em shows underground.

Outro destaque é “Masquerade”, que aposta em mudanças de andamento e passagens mais técnicas sem perder a violência característica do disco. Já “Three Down” traz um groove sujo e quase claustrofóbico, funcionando como uma pancada mais cadenciada no meio da avalanche sonora.

Mas talvez o maior mérito de “Degenerate” esteja justamente na consistência. O Diatribes evita cair na armadilha comum de muitos discos extremos: soar repetitivo depois da terceira faixa. Existe variedade suficiente entre as músicas para manter o álbum intenso do começo ao fim, sem perder coesão.

Na parte final, “Brutal Sarcasm” entrega uma das performances mais técnicas do trabalho, enquanto “Empire of Hate” amplia a sensação de destruição total antes da faixa-título fechar o disco de maneira pesada e certeira.

A produção também merece destaque. Tudo soa agressivo, orgânico e pesado na medida certa. A guitarra tem presença absurda, o baixo aparece com força e a bateria mantém o álbum constantemente em estado de guerra. Nada aqui parece artificial ou excessivamente polido — e isso favorece demais a proposta.

“Degenerate” é um disco feito para fãs de metal extremo que sentem falta daquela agressividade crua, direta e sem maquiagem. O Diatribes entrega um debut forte, brutal e cheio de personalidade, mostrando que ainda existe muito espaço para bandas que entendem o verdadeiro espírito do underground.

Um álbum para ouvir alto. Muito alto.

diatribes

Músicas
1- Death’s Echo Chants
2- The Witch
3- Hostility Within
4- My Own Hell
5- Masquerade
6- Lost Soul
7- Vicious Circle
8- Last Enemy
9- Three Down
10- Swamp Spirits
11- Brutal Sarcasm
12- Empire of Hate
13- Degenerate

Geraldo "Gegê" Andrade

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais. 

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