Resenha: “The Cloud of Unknowing” – Sepultura (2026)
April 27, 2026 0 By Geraldo AndradeO Sepultura sempre foi uma banda inquieta. Nunca aceitou ficar parada, nunca se acomodou em fórmulas fáceis. E em “The Cloud of Unknowing”, essa inquietação ganha uma nova forma: mais densa, mais reflexiva — e, ainda assim, devastadora.
Inspirado no clássico místico do século XIV que dá nome ao álbum, o disco mergulha em um conceito menos óbvio para o metal: a ideia de que o verdadeiro conhecimento nasce justamente da aceitação do desconhecido. E é nesse território nebuloso que o Sepultura constrói uma de suas obras mais atmosféricas dos últimos anos.
Mas não se engane: o peso continua intacto.
Os riffs de Andreas Kisser seguem afiando lâminas, transitando entre o groove pesado e passagens mais experimentais, criando uma tensão constante entre agressividade e contemplação. A bateria surge pulsante, quase ritualística em alguns momentos, dando ao álbum uma sensação orgânica — como se cada faixa fosse um capítulo de uma jornada interna.
Derrick Green entrega aqui uma de suas performances mais expressivas. Sua voz não é apenas um instrumento de ataque, mas também de interpretação. Ele alterna entre fúria e introspecção com naturalidade, incorporando perfeitamente o conceito do disco.
O grande diferencial de “The Cloud of Unknowing” está justamente na sua coragem. Não é um álbum imediato. Ele exige atenção, pede imersão. Há camadas que se revelam aos poucos — texturas, ambiências, nuances que escapam em uma audição superficial.
As letras abandonam o discurso direto e apostam em algo mais simbólico, quase filosófico, reforçando a proposta conceitual do trabalho. É um Sepultura que provoca mais reflexão do que confronto — sem perder a intensidade que sempre o definiu.
Se em outros momentos da carreira a banda gritava para o mundo, aqui ela parece sussurrar no ouvido do ouvinte — e esse sussurro, paradoxalmente, soa ainda mais poderoso.
No fim, “The Cloud of Unknowing” não é apenas mais um capítulo na discografia do Sepultura. É uma experiência. Um convite ao desconforto, à dúvida, à exploração.
E talvez seja justamente isso que mantém o Sepultura relevante: a capacidade de transformar incerteza em arte — e caos em identidade.
Um álbum que não se entende de primeira. E nem deveria.
Músicas
1- All Souls Rising
2- Beyond the Dream
3- Sacred Books
4- The Place

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


