Resenha: “From The Beginning” – Mötley Crüe (2025)
September 28, 2025 0 By Geraldo AndradeMe lembro do início dos anos 80’s, quando adquiri meu primeiro LP do Mötley Crüe, “Shout At The Devil”, foi amor à primeira ouvida, abri aquele LP e me deparei com uma foto colorida dos 04 membros da banda, foi algo incrível, um álbum que nunca pulei uma música se quer. Depois adquiri “Too Fast For Love” e de lá pra cá, o Mötley Crüe, juntamente com o Kiss, Iron Maiden e Judas Priest, moldaram meu gosto musical e a trilha sonora da minha vida.
Vários anos depois, chega “From The Beginning”, a nova coletânea de 19 faixas do Mötley Crüe, que não é apenas uma playlist de sucessos, é uma cápsula do tempo, uma viagem alucinante por quatro décadas de caos, sobrevivência, reinvenção e pura bravata do rock and roll.
Começa onde tudo começou, com seu primeiro single global, “Live Wire”, e avança até “Dogs of War”, de 2024, uma música que prova que o apetite do Crüe pela decadência não diminuiu. E as outras faixas? Um repertório que poderia servir de guia para a história da vida em excesso, simplesmente perfeito.
Ouvindo esta coletânea parece que você está na Sunset Strip dos anos 80, vestido de couro e de olhos arregalados, assistindo a uma banda reescrever as regras do que o rock poderia ser. Temos a adrenalina de “Kickstart My Heart”, a arrogância suja de “Girls, Girls, Girls”, o escárnio gótico da minha preferida “Shout at the Devil”, a pisada antológica de “Dr. Feelgood”, em minha opinião, não são apenas músicas, são marcos culturais. Eles marcaram presença em noites de balada, se inseriram no DNA de filmes, videogames e trilhas sonoras de grandes estádios. No processo, transformaram o Mötley Crüe em algo maior do que uma banda. Eles se tornaram mitologia.
O que diferencia “From The Beginning” dos típicos sucessos de bandas é sua aspiração à reinvenção. A inclusão de “The Dirt (Est. 1981)” com Machine Gun Kelly completa a história da banda, lembrando aos ouvintes que o Mötley Crüe nunca se esquivou do espetáculo, ou de unir gerações. E então há a joia da coroa, a recém-gravada “Home Sweet Home”, desta vez em dueto com Dolly Parton. No papel, soa quase absurdo. Na prática, é transcendente. A voz de Dolly, em partes iguais de coragem e graça, equilibra a entrega crua de Vince Neil, transformando a balada em um testamento de resistência, empatia e esperança. O fato de ter reentrado nas paradas em primeiro lugar em 2025, quarenta anos após seu lançamento original, não é apenas um golpe de sorte. É a prova de que algumas músicas e algumas bandas se recusam a envelhecer, e o Mötley Crüe é isso.
Parte da emoção de “From The Beginning” é como ele condensa a carreira atribulada do Mötley Crüe em uma única sessão de audição. É possível ouvir a evolução da banda e, em alguns casos, sua recusa em evoluir diante das tendências em constante mudança. Apesar de vícios, experiências de quase morte, partidas, reencontros e até aposentadoria, eles se mantiveram fiéis ao seu estilo de rock sujo e de alta octanagem. Faixas como “Wild Side” e “Smokin’ in the Boys Room” ainda carregam aquela energia travessa e mesquinha, enquanto “Saints of Los Angeles” e “Primal Scream” provam que eles não tiveram medo de aguçar sua veia com o passar das décadas.
Unir um clássico como “Home Sweet Home” a Parton é um lembrete de que a história do Mötley Crüe ainda está sendo escrita. Mesmo agora, com mais de 100 milhões de álbuns vendidos e 10 bilhões de streams em todo o mundo, eles encontram maneiras de chocar, seduzir e surpreender.
É isso que torna este álbum de grandes sucessos tão eficaz. Não é apenas um “melhor de”. É um lembrete de por que o Mötley Crüe foi importante em primeiro lugar. A arrogância, os ganchos, a sordidez, os hinos, o caos, está tudo aqui. Mas entre os riffs a há algo mais suave, que a contribuição de Parton ressalta: a sobrevivência. Contra todas as probabilidades, o Mötley Crüe ainda está aqui, ainda barulhento, ainda arrombando portas. E, como o título sugere, esta coletânea não parece um fim. Parece um renascimento.
O Crüe não nos deu apenas canções, mas também uma trilha sonora para a imprudência, a rebelião e a resiliência. “From The Beginning” é a prova de que, mesmo depois de 43 anos, algumas chamas não se apagam. Elas apenas queimam mais intensamente. Para nossa alegria, o Mötley Crüe vive e cada vez mais forte.
Músicas
1- Live Wire
2- Take Me To The Top
3- Shout At The Devil
4- Looks That Kill
5- Too Young To Fall In Love
6- Smokin’ In The Boys Room
7- Home Sweet Home
8- Girls, Girls, Girls
9- Wild Side
10- Dr. Feelgood
11- Without You
12- Kickstart My Heart
13- Don’t Go Away Mad (Just Go Away)
14- Same Ol’ Situation (S.O.S.)
15- Primal Scream
16- Afraid (apenas no vinil)
17- Saints Of Los Angeles
18- The Dirt (est. 1981)
19- Dogs Of War
20- Cancelled (apenas no vinil)
21- Home Sweet Home (featuring Dolly Parton)

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.



