Resenha: “Destroys Anaheim ’76” – Kiss (2026)

Resenha: “Destroys Anaheim ’76” – Kiss (2026)

August 24, 2026 0 By Geraldo Andrade

Existem shows que são simplesmente apresentações ao vivo. Outros se transformam em documentos históricos. “Destroys Anaheim ’76” pertence à segunda categoria. Registrado em 20 de agosto de 1976, no Anaheim Stadium, na Califórnia, o concerto capturou o KISS em um dos momentos mais importantes de sua trajetória: a banda estava deixando de ser uma promessa do underground para se transformar em um fenômeno de proporções gigantescas. Naquela noite, mais de 42 mil pessoas testemunharam um quarteto que parecia ter descoberto a fórmula perfeita entre espetáculo, teatralidade e puro rock ’n’ roll.

E há algo especialmente interessante neste lançamento de 2026: aquilo que durante décadas circulou entre colecionadores e fãs em gravações não oficiais finalmente ganhou tratamento oficial. O responsável pela gravação original, Eddie Kramer, retornou às fitas multipista para realizar uma nova mixagem, recuperando a energia daquele palco sem transformar o registro em uma peça excessivamente polida.

A abertura com “Detroit Rock City” é praticamente uma declaração de intenções. A guitarra de Paul Stanley e Ace Frehley, a cozinha de Peter Criss e Gene Simmons e aquela atmosfera grandiosa colocam imediatamente o ouvinte dentro do estádio. Não existe tempo para aquecimento: o KISS chega para dominar.

Na sequência, “King Of The Night Time World”, “Let Me Go, Rock ’N Roll” e “Strutter” mostram uma banda que tinha repertório suficiente para transformar uma sequência de clássicos em uma verdadeira avalanche. É importante lembrar que estamos falando de 1976: o KISS ainda estava construindo sua mitologia e, ao mesmo tempo, já apresentava uma identidade musical absolutamente reconhecível.

O repertório é um dos grandes trunfos do álbum. Destroyer, lançado naquele mesmo ano, aparece com força através de músicas como “Detroit Rock City”, “King Of The Night Time World”, “Shout It Out Loud”, “Do You Love Me” e “God Of Thunder”, enquanto clássicos dos trabalhos anteriores ajudam a construir uma retrospectiva involuntária daqueles primeiros anos.

E então chega “Cold Gin”. Aqui, Ace Frehley ganha espaço para mostrar por que sua guitarra era tão importante para a identidade do KISS. O solo de Ace que vem na sequência funciona como um daqueles momentos que ajudam a entender por que o guitarrista se tornou uma figura tão cultuada pelos fãs.

Outro destaque é “Nothin’ To Lose”, seguida pela sequência “Shout It Out Loud” e “Do You Love Me”. A banda demonstra uma característica que sempre esteve no DNA do KISS: transformar músicas simples, diretas e extremamente eficientes em grandes momentos de participação coletiva.

Mas se existe uma parte do álbum que representa a teatralidade da banda, ela aparece nos momentos individuais. O solo de baixo de Gene Simmons, “God Of Thunder” e o solo de bateria de Peter Criss deixam claro que o KISS não estava interessado apenas em tocar músicas. Cada integrante era parte de um espetáculo maior.

Quando “Rock And Roll All Nite” aparece, a sensação é de que o estádio inteiro virou parte da banda. E ainda restam “Deuce”, “Firehouse” e “Black Diamond” para fechar a apresentação. É uma sequência final que resume perfeitamente o KISS daquela época: peso, melodias marcantes, teatralidade e uma capacidade impressionante de transformar um simples refrão em um hino.

Outro ponto que merece elogio é o trabalho de Eddie Kramer. O novo tratamento das fitas multipista permite que “Destroys Anaheim ’76” soe como um registro de 1976, mas com uma definição compatível com uma edição comemorativa moderna. O objetivo não parece ser apagar as características da gravação original, e sim permitir que o ouvinte tenha uma experiência mais próxima daquela que os músicos entregaram no palco.

“Destroys Anaheim ’76” não é simplesmente mais um disco ao vivo do KISS. É uma cápsula do tempo. É possível ouvir uma banda que ainda não tinha atingido seu auge comercial, mas já carregava dentro de si todos os elementos que a transformariam em uma das maiores instituições do rock.

Cinco décadas depois, a pergunta não é se o KISS ainda consegue impressionar. A pergunta é como uma banda tão jovem conseguiu, naquela noite de 1976, soar tão grande.

Esse lançamento é essencial para: fãs do KISS, colecionadores, admiradores do rock dos anos 70 e qualquer pessoa interessada em ouvir uma das fases mais importantes da história da banda.

“Destroys Anaheim ’76” é o KISS sem filtros históricos: jovem, ambicioso, teatral e absolutamente determinado a conquistar o mundo. Um documento que finalmente saiu das sombras das gravações de colecionadores para ocupar o lugar que merece na discografia oficial. Se “Alive” apresentou ao mundo o poder do KISS ao vivo, “Destroys Anaheim ’76” mostra o monstro crescendo diante de uma multidão gigantesca.

Para finalizar, só digo uma coisa: que saudades de um show do Kiss!

kiss

Músicas
1- Detroit Rock City
2- King Of The Night Time World
3- Let Me Go, Rock ‘N Roll
4- Strutter
5- Hotter Than Hell
6- Nothin’ To Lose
7- Cold Gin
8- Ace Frehley Guitar Solo
9- Shout It Out Loud
10- Do You Love Me
11- Gene Simmons Bass Solo
12- God Of Thunder
13- Peter Criss Drum Solo / God Of Thunder
14- Rock And Roll All Nite
15- Deuce
16- Firehouse
17- Black Diamond

Geraldo "Gegê" Andrade

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais. 

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