Resenha: “Metalmorphosis” – Masterplan (2026)
August 8, 2026 0 By Geraldo AndradeApós um hiato de treze anos sem um álbum de inéditas, o Masterplan retorna com “Metalmorphosis” sem a menor preocupação em disputar espaço com a nova geração do power metal. Roland Grapow parece ter entendido que, em 2026, a banda não precisa provar velocidade nem técnica. Precisa apenas soar como ela mesma. E consegue.
Longe da urgência explosiva dos dois primeiros discos, “Metalmorphosis” aposta em uma abordagem mais madura, privilegiando refrãos marcantes, riffs encorpados e uma atmosfera que equilibra peso e melodia. O resultado é um álbum que exige mais de uma audição para revelar suas melhores qualidades, mas recompensa quem aceita esse convite.
A abertura com “Chase The Light” já deixa claro o caminho escolhido. O riff é direto, Rick Altzi entrega uma interpretação segura e Grapow costura solos elegantes sem cair no exibicionismo. Não é uma música feita para impressionar instantaneamente, mas para estabelecer o clima do disco.
Na sequência, “Electric Nights” surge como uma das composições mais inspiradas do álbum. O refrão gruda na memória logo nas primeiras audições, enquanto os teclados acrescentam uma textura clássica que remete aos melhores momentos do hard rock europeu.
Outro grande destaque é “Bound To Fall”, provavelmente a faixa mais pesada do repertório. A cozinha formada por Jari Kainulainen e Kevin Kott sustenta um groove sólido, permitindo que as guitarras respirem e construam uma das melhores melodias do trabalho.
A faixa-título, “Metalmorphosis”, funciona como manifesto artístico. A música sintetiza perfeitamente a proposta do disco: melodias fortes, refrão grandioso e um equilíbrio entre o power metal tradicional e o heavy metal melódico que sempre caracterizou a banda.
Se existe um momento em que o álbum acelera de verdade, esse momento atende pelo nome de “Through The Storm”. É a canção que mais conversa com os fãs da fase clássica do grupo, reunindo velocidade, dupla de guitarras inspirada e um refrão digno de ser cantado em festivais.
Já “Ghostlight” aposta em uma construção mais atmosférica, mostrando que o Masterplan ainda sabe trabalhar dinâmica sem perder intensidade. É uma faixa que cresce conforme avança e valoriza bastante o trabalho dos teclados.
O encerramento praticamente pertence a “The Call”, composição longa e cheia de mudanças de andamento que evidencia toda a experiência acumulada por Grapow como compositor. É o tipo de música que fecha um disco deixando a sensação de jornada completa.
A inclusão de “Rise Again”, lançada anteriormente como single, funciona como um bônus eficiente. Seu caráter otimista e refrão acessível oferecem um final luminoso para um álbum predominantemente sombrio.
O maior mérito de “Metalmorphosis” talvez seja justamente não tentar reviver os tempos de Masterplan (2003) ou Aeronautics. Em vez disso, a banda aceita sua própria evolução e entrega um trabalho consistente, elegante e honesto. Não há excessos, nem necessidade de competir com o power metal mais veloz ou moderno. Há apenas músicos experientes compondo exatamente aquilo que sabem fazer.
Talvez alguns sintam falta da agressividade dos primeiros anos ou da presença inconfundível de Jørn Lande. Mas Rick Altzi já encontrou sua identidade dentro da banda e conduz o repertório com personalidade suficiente para afastar comparações injustas.
“Metalmorphosis” não é um retorno baseado na nostalgia. É um álbum de maturidade, construído com calma, bom gosto e respeito pela própria história. Pode não ser o disco mais explosivo da carreira do Masterplan, mas certamente está entre os mais coesos e sinceros. Para quem aprecia heavy metal melódico sem pressa e com excelente acabamento, é uma audição obrigatória.
Músicas
1- Chase the Light
2- Electric Nights
3- Shadow Man
4- Bound to Fall
5- Pain of Yesterday
6- Metalmorphosis
7- Through the Storm
8- Ghostlight
9- The Call
10- Rise Again

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


