Resenha: “Principium” – Soulwitch (2024)
August 3, 2026 0 By Geraldo Andrade“Principium” é o álbum de estreia da Soulwitch, lançado em 2024, reunindo 11 faixas que transitam entre o metal sinfônico, elementos orquestrais e uma temática centrada em ocultismo, hermetismo e transformação espiritual.
Existem discos que apenas apresentam uma banda. Outros apresentam um universo inteiro. “Principium”, estreia da curitibana Soulwitch, pertence à segunda categoria.
Logo nos primeiros minutos fica evidente que a proposta vai além do metal sinfônico tradicional. A banda constrói uma experiência quase ritualística, onde guitarras pesadas dividem espaço com arranjos orquestrais, atmosferas cinematográficas e uma identidade visual e lírica inspirada no hermetismo, na magia e nos ciclos de transformação da consciência.
A introdução instrumental que dá nome ao álbum funciona como um portal. Não é apenas uma abertura: prepara o terreno para uma jornada onde cada faixa parece representar um capítulo de um grande livro de ocultismo moderno.
Quando “Teufelsbuhlschaft” explode, a Soulwitch mostra sua verdadeira força. O peso das guitarras conversa perfeitamente com os teclados e os elementos sinfônicos, enquanto os vocais equilibram técnica, teatralidade e emoção. É uma composição que consegue soar grandiosa sem cair no excesso, revelando uma banda que já nasce com personalidade.
Outro dos grandes momentos é “Beltane”. Inspirada na tradicional celebração celta, a música une melodia marcante, refrão poderoso e uma construção dinâmica que cresce a cada minuto. Não por acaso, tornou-se uma das principais representantes do álbum e uma das faixas mais acessíveis para quem está conhecendo a Soulwitch pela primeira vez.
Se o disco possui um coração melancólico, ele atende pelo nome de “The Waltz of Melancholy”. A composição desacelera o ritmo para explorar uma atmosfera mais introspectiva, onde os arranjos orquestrais ganham protagonismo e demonstram a preocupação da banda com texturas e narrativa musical.
Já “Aura Spectrum” e “New Orb” expandem ainda mais a identidade do álbum. Ambas reforçam a combinação entre peso e espiritualidade, explorando mudanças de andamento, camadas instrumentais e passagens que remetem tanto ao metal europeu quanto às trilhas sonoras cinematográficas.
Na reta final, “Pandemonium” entrega agressividade e energia, funcionando como um dos momentos mais pesados do disco, enquanto “Hecatomythium” encerra a viagem de forma épica, deixando aquela sensação de que a história apresentada ainda está longe de terminar.
O grande mérito de “Principium” talvez seja justamente sua coerência. Em vez de apostar em músicas isoladas para gerar impacto imediato, a Soulwitch constrói um álbum que deve ser ouvido do início ao fim. Cada faixa fortalece o conceito geral, fazendo com que a experiência completa seja muito maior do que a soma de suas partes.
Musicalmente, as influências de nomes como Nightwish, Epica e Within Temptation podem ser percebidas em alguns momentos, mas a Soulwitch evita soar como mera cópia. Há uma identidade própria, sustentada pela proposta conceitual, pelo cuidado na produção e por composições que priorizam atmosfera sem abrir mão do peso.
“Principium” é uma estreia madura, ambiciosa e surpreendentemente consistente. A Soulwitch demonstra que o metal sinfônico brasileiro continua produzindo obras capazes de dialogar com o cenário internacional sem perder personalidade. É um álbum que exige atenção, recompensa audições repetidas e deixa clara uma mensagem: a banda não chegou para apenas participar da cena, mas para construir um legado dentro dela.
“Principium” não é apenas um álbum de estreia; é a fundação de um universo onde peso, beleza e misticismo caminham lado a lado.
Músicas
1- Principium
2- Teufelsbuhlschaft
3- The Waltz of Melancholy
4- Beltane
5- New Orb
6- Aura Spectrum
7- Grimoire of Fantasy
8- Pandemonium
9- Hecatomythium
10- The Great Arcanum
11- Lament of My Soul

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


