Resenha: “This Present Wasteland” – Metal Church (2008) Relançamento 2026
June 23, 2026 0 By Geraldo AndradeHá bandas que sobrevivem ao tempo. Outras simplesmente aprendem a conviver com ele. Quando o Metal Church lançou “This Present Wasteland” em 2008, o cenário do heavy metal já era outro: o thrash vivia uma retomada, o metal moderno dominava festivais e os veteranos precisavam provar que ainda tinham algo relevante a dizer.
Felizmente, este não é um álbum de nostalgia barata. É um disco de músicos experientes observando um mundo em ruínas e transformando essa percepção em peso, melodia e reflexão.
Logo na abertura, “The Company of Sorrow” estabelece o tom da obra. Os riffs de Kurdt Vanderhoof surgem densos e carregados, enquanto a voz de Ronny Munroe transmite uma urgência quase desesperada. Não há espaço para heroísmo ou escapismo. O álbum encara a realidade de frente e encontra inspiração justamente nas contradições de uma sociedade marcada por guerras, manipulação política e isolamento humano.
Musicalmente, “This Present Wasteland” mantém viva a tradição do Metal Church. O grupo combina a agressividade herdada do thrash com a imponência do heavy metal clássico, sem se preocupar em seguir tendências. Faixas como “The Perfect Crime” e “Deeds of a Dead Soul” mostram uma banda segura de sua identidade, apostando em riffs sólidos, refrães memoráveis e arranjos que privilegiam a construção da atmosfera em vez da velocidade desenfreada.
Um dos grandes méritos do disco está na interpretação de Ronny Munroe. Seu desempenho confere personalidade às canções, alternando agressividade e melancolia com naturalidade. Em “Breathe Again”, por exemplo, a carga emocional se torna tão importante quanto o peso instrumental, revelando uma faceta mais introspectiva da banda sem comprometer sua essência metálica.
A produção também merece destaque. Diferentemente de muitos lançamentos da época, que sacrificavam dinâmica em busca de volume excessivo, “This Present Wasteland” apresenta uma sonoridade encorpada e equilibrada. As guitarras possuem espaço para respirar, o baixo aparece com clareza e a bateria sustenta as composições com firmeza, reforçando o caráter orgânico do álbum.
Talvez seu único ponto fraco seja justamente a falta de ousadia. O Metal Church não reinventa sua fórmula nem busca expandir significativamente seus horizontes sonoros. Para alguns ouvintes, isso pode soar conservador. Para outros, é exatamente o que torna o disco tão honesto. Em vez de perseguir modismos passageiros, a banda prefere aperfeiçoar aquilo que sempre soube fazer bem.
No fim das contas, “This Present Wasteland” funciona como o retrato de uma banda veterana que encontrou maturidade sem perder o peso. Não é um clássico absoluto da discografia do Metal Church, mas está longe de ser apenas mais um capítulo burocrático. É um álbum sombrio, consistente e relevante, que encontra beleza em meio aos escombros de seu próprio “presente devastado”.
Um trabalho sólido e reflexivo que reafirma a força do Metal Church no século XXI.
Músicas
1- The Company Of Sorrow
2- Perfect Crime
3- Deeds Of A Dead Soul
4- Meet Your Maker
5- Monster
6- Crawling To Extinction
7- A War Never Won
8- Mass Hysteria
9- Breathe Again
10- Congregation

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.


