Resenha: “Megadeth” – Megadeth (2025)
February 6, 2026 0 By Geraldo AndradeQuarenta anos, quatro décadas de ferocidade avassaladora, mas agora em seus próprios termos, o Megadeth decidiu encerrar sua ilustre carreira com um último trabalho de reflexão histórica, intitulado apropriadamente de Megadeth.
O 17º álbum, que desafia a longevidade, é simplesmente intitulado “Megadeth”. Do início ao fim, é inegavelmente autêntico. O baixista James Lomenzo e o baterista Dirk Vereuren, que tocaram em “The Sick, The Dying & The Dead”, continuam na banda. Uma adição muito bem-vinda é o ex-guitarrista solo do Wintersun, Teemu Mantysaari. Seus solos talentosos e precisos elevam este álbum muito acima dos últimos lançamentos da banda.
A execução rítmica está mais do que impecável, com Mustaine totalmente concentrado em compor sua última leva de ritmos devastadores e pulsantes. Algo vital a mencionar é a interpretação e o timbre da voz de Dave. Ele talvez soe melhor do que no magistral “Dystopia”. Mustaine está no controle absoluto e isso fica evidente. Em minha opinião, ele soava tenso no último álbum do Megadeth.
Ao que tudo indica, Mustaine visitou a fonte da juventude em busca de inspiração. Seus ritmos de guitarra no álbum exibem agilidade (com muitas notas individuais misturadas com abafamento de palheta), riffs poderosos e mudanças de tom precisas e repentinas!
Você não se arrependerá de começar ouvindo o terceiro single do álbum, chamado “Let There Be Shred”. É uma música animada, repleta de solos incríveis, refrões marcantes e atitude de sobra! Sem dúvida, o riff mais pesado do álbum surge logo antes do glorioso solo principal (um dos melhores deste lançamento, diga-se de passagem).
“Puppet Parade” e “Hey God?!” têm alguns dos refrões mais melódicos. As melodias e as letras de Mustaine vão ficar na sua cabeça por horas a fio (e isso é ótimo).
“Tipping Point” oferece muita palhetada descendente e energia. O solo de tirar o fôlego de Mantysaari, com alguns tapping ascendentes, é um destaque imediato. A voz de Mustaine soa perfeita para essa música. Ele arrasa no refrão! As mudanças de andamento adicionam interesse a uma música que já é interessante por si só.
“Made To Kill” é a faixa mais visceral! Poderia ser a minha favorita, graças à excelente composição de guitarra rítmica do Dave. Os solos e a potência implacável exigem que você queira ouvir mais! Não há entrelinhas em “The Last Note”. Mustaine relembra o desgaste da estrada.
A versão de “Ride The Lightning” tocada pelo Megadeth é daquelas curiosidades do thrash que fazem qualquer fã prestar atenção. Mesmo sendo uma música eternamente ligada ao Metallica, dá pra sentir a “mão Megadeth” na execução: tudo soa mais afiado, técnico e agressivo, com riffs ainda mais secos e uma abordagem quase cirúrgica. A guitarra ganha aquele tempero típico do Dave Mustaine, com palhetadas nervosas e uma sensação constante de urgência. Não é uma versão feita para substituir a original, mas funciona como um exercício de identidade, mostrando como a mesma música pode ganhar outra personalidade quando passa por uma banda diferente — e carregada de história. É thrash metal em estado puro, com um leve gosto de rivalidade clássica.
No geral, Dave fez um trabalho magnífico equilibrando riffs thrash com alguns de seus vocais mais cativantes até hoje! Felizmente, seu sarcasmo continua intacto. A seção rítmica é impactante do começo ao fim do álbum. Os solos intensos e melódicos de Teemu complementam o estilo insano de Mustaine. O Megadeth vai se despedir em grande estilo.
O álbum oferece um belo desfecho para uma carreira memorável e abre caminho para o próximo capítulo de Mustaine. Provavelmente, não chega a ser o final definitivo que Dave almejava, mas como o Megadeth sempre foi o projeto de Mustaine e somente dele, o que quer que ele faça a seguir ainda terá a essência do Megadeth. É algo do qual ele não pode escapar. Portanto, é menos um “até logo” e mais um “e agora, o que vem a seguir?”, já que ainda mais oportunidades para experimentar se apresentam sob uma nova bandeira. O Megadeth deixa claro que vale a pena continuar acompanhando.
Uma das bandas pioneiras do thrash metal lançou um álbum final soberbo. É pesado, multifacetado, agressivo e emocionante. É tanto uma ode ao thrash metal quanto uma despedida comovente. Obrigado, Megadeth, pela ótima música e pelos clássicos do metal que ressoarão para sempre.
Músicas
1- Tipping Point
2- I Don’t Care
3- Hey, God?!
4- Let There Be Shred
5- Puppet Parade
6- Another Bad Day
7- Made To Kill
8- Obey The Call
9- I Am War
10- The Last Note
11- Ride The Lightning (Metallica cover)

Geraldo “Gegê” Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.
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Geraldo "Gegê" Andrade blogueiro e vlogueiro a mais de 15 anos. Iniciou sua paixão pelo rock n roll, nos anos 80, quando pela primeira vez, ouviu um álbum da banda KISS. Tem um currículo com mais de 500 shows, de bandas nacionais e internacionais. Um especialista em entrevistas, já tendo entrevistado vários músicos nacionais e internacionais.



